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Como aumentar os níveis de testosterona naturalmente?

testosterona

Em 21 de maio de 2014, Dr. Júlio Caleiro, nutricionista.

[Colaboração especial de Luciano Caleiro Pimenta Jr – estudante do curso de Biologia Ortomolecular].

Com o envelhecimento, os homens enfrentam alguns desafios na saúde, como as patologias associadas com o declínio dos níveis de testosterona. Com a queda dos níveis de testosterona passa haver um aumento nos níveis de estrogênio. Com isso, muitos homens passam a experimentar baixa energia, redução da libido, diminuição da massa muscular, deterioração do humor, obesidade abdominal, baixa cognição, e ficam mais propensos a hipertrofia e câncer de próstata. A terapia de reposição de testosterona tem ganhado muita popularidade, porém, acredito que ANTES do uso de algum hormônio (sintético ou bioidêntico) é preciso observar se o organismo recuperaria caso fossem fornecidas as matérias primas para sua produção, com estimulantes naturais.

Mas, caso ainda opte diretamente pelo uso de hormônios, estes devem ser bioidenticos (idênticos ao do organismo), indicados por um médico especialista na área de modulação hormonal bioidentica, com profundos conhecimentos nesta técnica. Nesta técnica, ao se repor o hormônio o cuidado deve ser redobrado. Um deles é que o exame para a checagem dos níveis deve ser o exame salivar, que utiliza a saliva para medição dos níveis hormonais. Neste exame, diferente do sanguíneo, verificam-se os níveis de testosterona na célula, já que a ação da testosterona é na célula e não circulante no sangue. Dessa forma, é possível que a pessoa possua níveis altos de hormônios na célula, e baixos níveis circulantes no sangue. Ao voltar ao médico, se este profissional se basear tão somente pelos baixos níveis circulantes no sangue, a dose prescrita poderá ser alta demais para aquele paciente, já que os níveis nas células (não medidos) podem estar altos. Todo esse erro de procedimento induz toxidade, podendo trazer futuros danos, dentre eles, até mesmo a aromatização (conversão da testosterona em estrogênio), que traz maior risco ao câncer de próstata. Logo, se optar diretamente pelo uso de hormônios, cuide-se da checagem de seus níveis hormonais na célula, via exame salivar, PERIODICAMENTE. É essa a forma indicada, inclusive, pelo médico Dr. Lair Ribeiro, especialista e professor em terapia hormonal bioidêntica no Brasil. Ademais, as dosagens devem ser fisiológicas, respeitar a natural produção do corpo. Por exemplo, o testículo de um homem saudável produz de 5 à 7mg de testosterona por dia. 90% da testosterona masculina é produzida nos testículos. Logo, esse nível natural diário produzido por uma pessoa saudável deve ser levado em conta no momento da dosagem. Em outras palavras: Não é natural o uso superior de testosterona ao que é produzido em um homem saudável ( por volta de até 7mg), o que poderia representar excesso e toxidade. Esses cuidados tem sido observados em seu tratamento?

Como ALTERNATIVA eficaz ao uso de hormônios, há métodos de aumento de testosterona que existem há séculos. Extratos vegetais como CRISINA e certas lignanas vegetais inibem a aromatização, isto é, conversão da testosterona em estrogênio, aumentando, assim, os níveis de testosterona livre. Raiz de urtiga, por exemplo, libera a testosterona no corpo impedindo que fique vinculado ou preso ao SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais).

As lignanas tem mostrado resultados promissores contra o câncer de próstata e plantas como marapuama foram mostradas para melhorar o desejo e desempenho sexual, permitindo aos homens idosos recapturarem os seus prazeres sexuais.

Após atingir o pico aos 20 anos, os níveis de testosterona tendem a diminuir gradualmente. Baixos níveis de testosterona é um fato de risco para o declínio cognitivo e possivelmente demência (Alzheimer) – Ann NY Acad Sci. 2005 Dec;1055:80-92.; Eur J Endocrinol. 2006 Dec;155(6):773-81.

A testosterona ocorre de duas formas diferentes no corpo: livres e ligadas. A testosterona livre é a útil e funcional; a testosterona ligada é menos útil e funcional. Com a queda de testosterona, a substancia SHBG, geralmente, aumenta (Actas Urol Esp. 2008 Jun;32(6):603-10.) Ao avaliar o estado hormonal de um homem, os médicos frequentemente medem a ‘testosterona total’, que inclui testosterona livre e testosterona ligada à SHBG. No entanto, é a testosterona livre que é a medida mais relevante no homem (Aging Clin Exp Res. 2008 Jun;20(3):201-6).

A andropausa masculina é caracterizada pelo declínio dos níveis de testosterona livre. Assim como as mulheres passam por mudanças com a menopausa, os homens também sofrem mudanças. Entre as consequências da síndrome da deficiência de testosterona, há a depressão, disfunção sexual, comprometimento cognitivo, osteoporose, doença cardiovascular e mortalidade.

Muitas vezes chamado de “síndrome da deficiência de testosterona”, andropausa masculina é caracterizada pelo declínio dos níveis de testosterona livre .  Conseqüências da síndrome de deficiência de testosterona incluem depressão, insônia, disfunção sexual, impotência, fraqueza, redução de massa muscular, comprometimento cognitivo leve (falta de memória) , osteoporose, doença cardiovascular …( Am J Psychiatry. 1998 Oct;155(10):1310-8.).

Com o declínio dos níveis de testosterona livre com a idade, outro processo prejudicial se inicia, isto é, os níveis de enzima aromatase tendem a aumentar com a idade, que enseja um aumento de massa de gordura abdominal). A aromatase converte a testosterona em estrogênio, esgotando ainda mais os níveis de testosterona livre e aumentando os níveis de estrogênio. Todo esse processo aumenta ainda mais os riscos de câncer de próstata (Altern Med Rev. 2007 Sep;12(3):280-4.).

E quais as alternativas naturais para a melhora da virilidade masculina, com melhora nos níveis de testosterona? Falaremos de alguns nutrientes disponíveis para o tratamento, com apoio em estudos científicos sérios.

É possível aumentar a disponibilidade de testosterona livre (benéfico) e compensar os aumentos prejudiciais nos níveis de estrogênio, utilizando extratos botânicos. Esses vegetais funcionam, em parte, por aumentar os níveis de testosterona livre enquanto bloqueia a conversão (aromatização) da testosterona em estrogênio. Vamos a alguns deles:

1. MACA (Lepidium meyenii): tem isso usado pelos povos indígenas na região dos Andes há séculos. É um vegetal da família do brócolis. É potencializa a fertilidade. A pesquisa mostrou que há base científica para esta crença. Maca melhora a libido, reforça a produção de espermatozoides e motilidade do esperma, sem afetar níveis do hormônio masculino (Asian J Androl. 2001 Dec;3(4):301-3.; J Endocrinol. 2003 Jan;176(1):163-8.; Andrologia. 2002 Dec;34(6):367-72.). Um estudo duplo-cego, randomizado, controlado por placebo em homens com idade entre 21 e 56 anos, demonstrou-se que após 8 semanas, houve aumento no desejo sexual pelos homens que consumiram MACA (Andrologia. 2002 Dec;34(6):367-72.) Outro estudo ficou demonstrado que MACA, tanto para homens como para mulheres, melhorou de forma significativa a função sexual (CNS Neurosci Ther. 2008;14(3):182-91.). Em um experimento, maca reduziu o aumento da próstata de forma tão eficaz como um medicamento comumente utilizado nos homens para o tratamento de hiperplasia prostática benigna (Asian J Androl. 2007 Mar;9(2):245-51).

2. MARAPUAMA (Ptychopetalum olacoides): um estudo brasileiro demonstrou que este vegeral foi tão eficaz no tratamento para aliviar sintomas de depressão em comparação com o medicamento padrão ‘imipramina’ (J Ethnopharmacol. 2008 Jul 23;118(2):300-4.). Em um estudo com 262 homens que sofrem de baixo desejo sexual, mais de 60% relataram melhorias com marapuama. E, mais de 50% dos homens relataram que mapapuama melhorou a capacidade de atingir ereção (Am J Nat Med. 1994;1:8-9.). É interessante notar que esta planta contem esteróis – blocos de construção de hormônios sexuais, como a testosterona.

3. CRISINA: é um flavona natural encontrada em muitas plantas, dentre elas, no maracujá. É um inibidor natural da aromatase. Um estudo publicado no Journal of Steroid Biochemical Molecular Biology (1993;Vol 46, No 3) crisina foi comparada com um medicamento inibidor de aromatase (aminoglutethimide). Crisina é o inibidor mais potente da aromatase, comparados com outros fito-estrogenios e flavonoides, que são conhecidos por terem essa mesma propriedade (Arch Pharm Res 1999 ; junho 22 ( 3 ) :309 – 12 , J Steroid Biochem Mol Biol 1997 Apr ; 61 ( 3-6 ) :107 – 15). Estudos indicam que crisina reduz a ansiedade em receptores cerebrais, que também são alvos de medicamentos para redução de ansiedade, conhecidos como benzodiazepínicos (ex: Valium ou Xanax). Um estudo demonstrou que a crisina tem o efeito na redução da ansiedade comparável a um benzodiazepínico (Valium) (AANA J. 2007 Oct;75(5):333-7). Crisina tem a capacidade de bloquear a aromatização (Toxicol In Vitro. 2006 Mar;20(2):187-210.). Crisina quando combinado com piperina, reduz níveis de estrogênio sérico (estradiol) e aumenta a testosterona livre em 30 dias.

4. MyTosterone’ (composto de astaxantina e saw palmetto): aumentou em 50% os níveis de testosterona em homens após 40 dias de uso, sem causar aromatização (conversão de testosterona em hormônio feminino – estradiol). Um grupo tomou uma pequena dose de Mytosterone e outro grupo uma dose elevada. Ambos os grupos foi observada significativa elevação dos níveis de testosterona e diminuição desejável de Dihidrotestosterona – DHT. Todavia, no grupo que ingeriu elevada dose de Mytosterone observou-se também uma acentuada queda dos níveis de estradiol, normalizando seus níveis naquele grupo. – J Int Soc Sports Nutr. 2008 Aug 12;5:12. Todavia, é preciso um cuidado especial no uso de saw palmetto, já que o saw palmetto bloqueia/inibe a conversão de testosterona em DHT. – (Hill B, Kyprianou N. Effect of permixon on human prostate cell growth: lack of apoptotic action. Prostate. 2004 Sep 15;61(1):73-80.)

Estes são ALGUNS nutrientes que podem ser indicados para a melhora dos níveis de testosterona, e bloqueio de aromatização. Outros nutrientes são bastante úteis, dentre eles, o zinco, raiz de urtiga, tribulus terrestris, afora, exercícios físicos e hábitos saudáveis de vida. As doses corretas e individuais são indispensáveis para o sucesso do tratamento. Procure um profissional de saúde de sua confiança.

*Todas as referências científicas foram citadas no corpo da matéria.

Life Extension


2 Comentários

  1. ELEUTERIOSP disse:

    Republicou isso em terinho.come comentado:
    ÚTIL

  2. marcos disse:

    excelentes explicações, estou com 51 anos e começo a sentir os efeitos da queda dos niveis de testosterona no meu sistema.
    Obrigado pelas dicas.
    Marcos

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