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Pregnenolona é essencial para a saúde do sistema nervoso central e neurogênese

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Em 27 de abril de 2014, por Dr. Júlio Caleiro, nutricionista. Fone (35) 35318423.

(Contribuição especial: Luciano Caleiro Pimenta Jr – estudante do curso de ‘Biologia Ortomolecular’)

Como resultado normal do envelhecimento, os níveis hormonais tendem a diminuir, que resulta em um impacto negativo sobre a memória e função cognitiva. Pesquisadores acreditam que a pregnenolona tem um grande potencial na manutenção saudável da função cognitiva e é um otimizador potente da memória ( Proc Natl Acad Sci USA. 1995 Nov 7;92(23):10806-10.). A pregnenolona é um hormônio chave para a produção de muitos outros hormônios importantes no organismo. A conversão de colesterol em pregnenolona constitui o primeiro de muitos passos na síntese de alguns dos principais hormônios do corpo, incluindo DHEA, testosterona, progesterona, estrogênios e cortisol. Por isso, é apelidado como o ‘hormônio-mãe’ ou ‘hormônio-pai’, pois a partir dele são gerados muitos outros.

Pregnenolona é o primeiro hormônio a ser produzido que gera uma série de neuro-hormônios no cérebro que são conhecidos por afetar o crescimento das células nervosas e modular o humor. A pregnenolona tem um efeito importante em uma grande variedade de funções do sistema nervoso. Isso é confirmado em um estudo que confirmou a capacidade da pregnenolona em reduzir o risco de demência e melhorar a memória, ao mesmo tempo, que alivia a ansiedade e combate a depressão. Assim, assegurando esse hormônio níveis ótimos no organismo, pode representar um fator importante para um bem estar cognitivo em adultos.

Pregnenolona estimula a memória por meio das vias excitatórias e alivia a ansiedade por mecanismos inibitórios (Pharmacol Biochem Behav. 2006 Aug;84(4):555-67.;  Jpn J Pharmacol. 1999 Oct;81(2):125-55.).

Pregnenolona é produzida tanto nas glândulas supra-renais e gônadas (ovários e testículos), como também no sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal) –  Paul SM, Purdy RH. Neuroactive steroids. FASEB J. 1992 Mar;6(6):2311-22. Logo, possui ação no sistema nervoso central, e concentrações reduzidas de neuroesteróides durante o desenvolvimento e em adultos pode estar associada com desenvolvimento neurológico, psiquiátrico e distúrbios comportamentais.

Além disso, a normalização dos níveis de neuroesteróides no cérebro pode promover a neurogênese (produção de novas células nervosas), a sobrevivência neural, mielinização (proteção das fibras nervosas), com aumento de memória, e redução de neurotoxidade. – Mellon SH. Neurosteroid regulation of central nervous system development. Pharmacol Ther. 2007 Jun 16. Considerando a esclerose múltipla é uma doença desmielinizante (em que a bainha de mielina é danificada), a pregnenolona poderá ser bastante útil, já que tem a função de mielinização (desenvolvimento da bainha de mielina).

Pregnenolona é o único entre os neuroesteróides que exerce controle importante em uma ampla gama de funções (Brain Res Brain Res Rev. 2001 Nov;37(1-3):3-12.).

Vamos verificar rapidamente uma parte da química cerebral para entender um pouco mais: o aminoácido glutamato está presente em todo o cérebro (Brain Cogn. 2007 Mar;63(2):94-122.). O glutamato que ativa o receptor cerebral NMDA, é essencial para a aprendizagem normal,  memória, porém, muita excitação por glutamato em longo prazo danificam os neurônios. O glutamato é considerado um dos fatores ocultos em doenças neurodegenerativas, tais como a doença de Alzheimer (Expert Opin Pharmacother. 2007 Feb;8(2):203-14.; J Clin Psychiatry. 2006;67 Suppl 33-7.). A pregnenolona é importante nesse contexto, pois ativa o receptor NMDA através de um mecanismo independente do glutamato, que contribuirá para os efeitos neuroprotetores (J Clin Psychiatry. 2006;67 Suppl 33-7.; J Neurosci Res. 2004 Dec 1;78(5):691-701.; Hippocampus. 2007;17(5):349-69.; Pharmacol Biochem Behav. 2006 Aug;84(4):581-97.).

O resultado disso é que pregnenolona pode desempenhar um papel fundamental tanto na manutenção da memória, e em seguida, evitando a sua perda, protegendo diretamente as redes nervosas que armazenam.

Os estudos indicam que pregnenolona pode oferecer proteção importante na doença de Alzheimer. A doença de Alzheimer é caracterizada por um acúmulo de placas prejudiciais beta-amilóide. Quando os pesquisadores introduziram a proteína beta-amilóide (que bloqueia a comunicação entre as células nervosas e perturbam suas atividades) no cérebro de animais, verificaram que os níveis de pregnenolona teve uma alta redução (Behav Brain Res. 2002 Aug 21;134(1-2):239-47.; Eur J Pharmacol. 2004 Feb 20;486(2):151-61.). Da mesma forma, em seres humanos, os pacientes com a doença de Alzheimer apresentavam baixos níveis de pregnenolona e DHEA, em todas as áreas principais relacionadas coma memória de seus cérebros (Prog Neurobiol. 2003 Sep;71(1):3-29.; J Clin Endocrinol Metab. 2002 Nov;87(11):5138-43.; Biol Psychiatry. 2006 Dec 15;60(12):1287-94.).

Em ratos, quando administrado pregnenolona há completa reversão de déficit de memória, ocorrendo inclusive em ratos mais velhos (Horm Behav. 2001 Sep;40(2):215-7.).

A pregnenolona aumenta os níveis cerebrais de acetilcolina, um neurotransmissor chave para a função cerebral saudável, o qual torna-se deficiente em pacientes com Alzheimer (Prog Neurobiol. 2003 Sep;71(1):43-8.).

Pregnenolona aumenta o crescimento de células nervosas, isto é, promove a neurogêneseNeurobiol Aging. 2005 Jan;26(1):103-14.; Pharmacol Ther. 2007 Jun 16.

Com base nesses estudos, verifica-se que pregnenolona pode melhorar a função cognitiva (mesmo em pessoas de mais idade), aumenta os níveis de acetilcolina, estimula o crescimento de novas células nervosas em áreas ligadas a memória e aprendizado. Pode ser extremamente útil no tratamento de diversas doenças neurodegenerativas, e autoimunes relacionadas ao sistema nervoso (ex: esclerose múltipla).

Todavia, como informa o médico Dr. David Brownstein em seu livro “The Miracle of Natural Hormones” as doses devem ser fisiológicas, ou seja, deve respeitar a natural produção do corpo.

O uso de pregnenolona é otimizado quando feito uso conjunto de doses também fisiológicas do hormônio DHEA. Sobre a função neuroprotetora do DHEA, sugiro que leia esta matéria abaixo que escrevi há algumas semanas:

https://nutricaobrasil.wordpress.com/2014/02/03/dhea-protege-o-cerebro-contra-um-vasto-numero-de-doencas-neurologicas/

____________________________

Lifeextension.com

*Todas as referências científicas foram citadas no corpo da matéria.


1 Comentário

  1. ELEUTERIOSP disse:

    Republicou isso em terinho.come comentado:
    BOA MATERIA

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