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Dieta da Proteína e seus GRAVES riscos à saúde

dieta

Por Júlio Caleiro, nutricionista. Fone do consultório: (35) 3531-8423.

A famosa dieta da proteína propagada mundialmente pelo Dr. Atkins, e agora também, pelo Dr. Pierre Dukan, tem sido indicada por muitos médicos como a salvação para a perda de peso e emagrecimento rápidos. Regra geral, a dieta retira quase todo carboidrato da alimentação ou o restringe a 10% do total de calorias consumidas.

Mas, o que os estudos científicos tem informado a respeito desta dieta? Uma pesquisa publicada em 26/06/2012 no Journal of American Medical Association, liderada pela Dra. Cara Ebbeling, nutricionista – PhD e professora em pediatria na Havard Medical School e pelo médico PhD, Dr. David Ludwig, pediatra e especialista em endocrinologia em pediatria, concluíram que a dieta Atkins (baixo consumo de carboidratos) causa inflamação e estresse (JAMA, June 27, 2012 DOI: 10.1001/jama.2012.6607). A dieta com baixo consumo de carboidratos aumentou os níveis de cortisol dos participantes, o que pode levar à resistência à insulina e doença cardiovascular. Lembre-se que a principal função da insulina é reduzir a quantidade de açúcar na corrente sanguínea. Devemos, assim, procurarmos ser sensíveis à insulina, e não resistentes a este hormônio. O organismo vindo a apresentar resistência à insulina compensa secretando uma quantidade cada vez maior desta substância. Quais as possíveis conseqüências? Com o tempo, o pâncreas não consegue atender a demanda da necessidade de alta produção de insulina, e inicia o ganho de gordura corporal, com o inevitável ganho de peso, e possível desenvolvimento de uma doença fatal: diabetes tipo 2.

No mesmo estudo, verificaram ainda que esta dieta de baixo consumo de carboidratos aumentou os níveis da proteína C-reativa, sinal de maior risco de doenças cardiovasculares e indicador sério de inflamação silenciosa corporal. Segundo o médico Dr. Mark Hyman, em seu livro Ultrametabolism, diz que:

“Exame de proteína C-reativa ultra-sensível (PCR-us) – esse é o melhor exame para diagnosticar inflamação. Ele mede seu nível geral, embora não aponte sua origem. O motivo mais comum para um índice elevado da proteína C-reativa é a síndrome metabólica, ou a resistência à insulina.”

Diversos estudos tem verificado que um processo de inflamação crônica está diretamente envolvido nas doenças do envelhecimento, incluindo: câncer, demência, acidente vascular cerebral, insuficiência hepática, e ataque cardíaco (ref.: 4-24).

Um estudo mostrou que a inflamação aumenta em cerca de 1.700% o risco de diabetes (JAMA. 18 de julho de 2001; 286(3): 327-334. Am. J. Clin. Nutr. Março de 2002; 75(3): 492-498.)

Os níveis sanguíneos ideais de proteína C-reativa são aqueles abaixo de 0,55mg/L em homens e abaixo de 1,0 mg/L em mulheres (http://www.lef.org/protocols/appendix/blood_testing_02.htm).

Doutor Hiromi Shinya, médico gastroenterologista, Chefe da Unidade de endoscopia do Beth Israel Medical Center e Professor de cirurgia no Albert Einstein College of Medicine – Nova York – EUA, em seu livro “Imunidade Natural”, sobre a dieta de baixo consumo de carboidratos explica que:

“Por outro lado, existem métodos de saúde baseados em dietas que são incorretos – regimes de beleza e métodos alimentares com efeitos perigosos. O denominador comum desses métodos é, em resumo, a idéia de se reduzir a ingestão de carboidratos. O exemplo mais típico é a dieta de Atkins, desenvolvida pelo Dr. Robert Atkins, nos Estados Unidos. Esta dieta, em minha opinião, envolve um alto risco porque induz à oxidação do sangue e leva a uma deterioração do trato intestinal. Uma pessoa pode ser capaz de perder peso temporariamente com uma dieta deste tipo, porém há uma elevada probabilidade de prejuízo à sua saúde. …Em alguns casos, uma doença chamada ceratoacidose, causada pela oxidação do sangue, pode se desenvolver. …Os alimentos de origem animal não possuem fibras alimentares e contém uma alta porcentagem de gordura e calorias, por isso, há risco do desenvolvimento de um sangue denso e da deterioração do trato intestinal. Além disso, por causa do suprimento insuficiente de oxigênio e de nutrientes às células do corpo todo, o metabolismo energético é dificultado, o que conduz ao envelhecimento das células”.

Doutor Wilson Rondó, médico ortomolecular, especializando-se em Terapias Antioxidantes pelo The Robert W. Bradford Institute, nos EUA e no Regenerations Zentrum Dr. Kleanthous Embh (Heideberg) na Alemanha, sobre a dieta de baixo consumo de carboidrato alerta que:

Contrariar a natureza tem seu preço. E os carboidratos são nossa fonte natural de energia. Sua carência causa danos celulares irreversíveis, compromete o funcionamento do cérebro e das células nervosas e estressa a bioquímica do corpo. Outro problema é a indução a um estado permanente da chamada cetose – que deprime o apetite, pode levar à desidratação e favorece a perda de cálcio.

Cria-se um círculo de danos, pois o cálcio vai acidificar o sangue, sobrecarregar os rins e fragilizar o intestino, favorecendo a ação danosa de bactérias. Além disso, há perda de músculos e aumento do ácido úrico na circulação, o que pode causar gota. O maior prejudicado, no entanto, é mesmo o sistema cardiovascular. A gordura consumida leva à sua degeneração e aumenta os níveis de dióxido de carbono no organismo, acelerando o envelhecimento. A melhor forma de emagrecer e manter a boa nutrição é o consumo equilibrado de carboidratos (40 a 50% das refeições), de proteínas 25 a 30% e gorduras boas 25 a 30%. Para controlar a insulina, os carboidratos complexos (de grãos, vegetais, massas integrais) são opções que trazem benefícios crescentes para o sistema imunológico (http://www.drrondo.com/artigo/bem-estar-menos-peso-com-mais-saude-e-energia).

Mas, e qual a solução apontada pelos pesquisadores?

Os autores concluíram que as dietas de baixo índice glicêmico, a qual possui em sua composição 40% de carboidratos do total de calorias ingeridas, apresentaram benefícios semelhantes à dieta de baixo carboidratos (Dr. Atkins/Dr. Dukan), todavia, sem os efeitos negativos mencionados.

É de se observar que este não é o primeiro estudo a respeito, demonstrando malefícios da dieta de baixo consumo de carboidratos. Em outro estudo de 2007, já havia sido verificado que a dieta com baixo consumo de carboidratos pode aumentar a perda óssea, devido ao aumento de ácido no corpo e ingestão insuficiente de minerais alcalinizantes. Além disso, foi encontrada uma porcentagem mais elevada de cálcio na urina daqueles participantes que realizaram a dieta de baixo consumo de carboidratos. Verificou-se ainda, neste mesmo estudo de 2007, um aumento nos níveis do colesterol LDL (mau colesterol), pelos seguidores da dieta Atkins ou de baixo consumo de carboidratos (Arizona State University (2007, December 17). Researchers Nix Low-carb Diet. ScienceDaily).

Um terceiro estudo científico ainda registrou que dieta de consumo baixo de carboidratos afeta NEGATIVAMENTE a memória e aprendizado (habilidades cognitivas), ou seja, afeta a saúde do cérebro (Tufts University (2008, December 15). Low-carb Diets Can Affect Dieters’ Cognition Skills).

Em mais outro estudo científico, verificaram que a dieta cetogênica produziu acidose, aumento dos níveis de colesterol, pedras nos rins, refluxo gastroesofágico – Neurol Neurochir Pol. 45.4 (2011): 370-8.

Segundo o Dr. Hyman, “os carboidratos são os mais importantes alimentos para a função e saúde em longo prazo do cérebro”(http://www.lef.org/magazine/mag2009/mar2009_Mark-Hyman-Healing-Broken-Brain-Syndrome_01.htm). Logo, é indispensável a presença deste componente [principalmente na forma de carboidratos complexos], de modo equilibrado, em uma dieta SAUDÁVEL.

A dieta cetogênica tem aplicações específicas no tratamento de algumas doenças, e deve ser feita com acompanhamento médico ou de nutricionista, e por um tempo determinado.

Faça uma alimentação equilibrada que fortaleça sua saúde, e assim, propicie o emagrecimento saudável.

Página no facebook:https://www.facebook.com/NutricaoNoTratamentoEPrevencaoDeDoencas

Referências
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2. Imunidade Natural, Dr. Hiromi Shinya, editora Cultrix, 2012, p. 180/183.
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